quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

TCHÊ .... O QUE SIGNIFICA ESTA EXPRESSÃO !


                                                                   TCHÊ

Quem já não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "Bah, Tchê"? Tchê Barbudo!
Essa expressão, própria dos irmãos do sul, tem um significado muito curioso.
Os gaúchos herdaram seu "Tchê" dos espanhóis.
Há muitos anos, o fervor religioso era muito grande na Europa principalmente entre a população mais simples. Por essa razão, a linguagem falada no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade" e assim por diante. Uma forma comum das pessoas se referirem a outra era usando interjeições também religiosas como: "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.
Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (Se lê Tchê) e significa do céu. Eles usavam essa expressão para expressar espanto, admiração, susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco e para chamar pessoas ou animais.
Com a descoberta da América, colonização, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos e uruguaios acabaram importando para a sua forma de falar.
Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Que bom seria se todos nos tratássemos assim. Considerando uns aos outros como gente do céu.
Lincoln Monto Jorge Na Espanha, região de VALENCIA. Os jogadores de futebol são conhecidos como Tchês" e quando o Clube de Futebol Valencia CF joga e o locutor do Estadio, da a escalacao do Time, a cada nome pronunciado, a torcida responde com TCHE.
  • Sobre

  • O termo Tche também é usado pelos Mapuche (na língua mapudungun, gente da terra) são um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. São conhecidos também como araucanos. Isso vem da língua do povo mapuche. Mapu = terra/che = gente. - "mapuche" quer dizer "gente da terra". No Rio Grande foi acrescentado o "T", porque senão falariam o som "xê", o que é ouvido em algumas regiões do Estado. Quando se diz: - Chê!, estamos dizendo - Gente!, Cara! Homem da terra!

    CHURRASCO DE CARNE DE OVELHA

     
    CARNE DE OVELHA
     
     
     
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    Aqui no sul carneiro é o macho inteiro, capão são os machos castrados e ovelha é fêmea. A maioria prefere o churrasco é o borrego, capão com 4 dentes, mas tem quem goste do cordeiro mamão 02 dentes. A ovelha é mais magra e tem menos carne mas também é saborosa. O animal fica dependurado ao relento de um dia para o outro. Não se deve comer a carne quente, ou seja, no mesmo dia em que é abatida.
    No campo carne de ovelha é conhecida também por “chibo”.
    Existem muitas raças de ovelha, produtoras de lã, carne, leite e couro.
    Os corte, Costela, carrê, paleta e pernil são os cortes preferidos.
    Os temperos são a gosto de cada um, porem é aconselhado deixar temperando de um dia para o outro. Os mais comuns é vinho d'alho, limão e alho ou ervas fortes, temperos, antes de assar.
    Para o fogo de chão ou na hora em uma churrasqueira vale o sal grosso e manter longe do fogo ir assando aos “poquitos”.
    Essa carne é privilegiada de um sabor particular por isso deve ser assada lentamente, exige paciência do assador. 


     Como diz os versos da musica...“Diz o patrão ao gaiteiro, já não falta mais ninguém,
    o pessoal tá impandinado e dançar assim não convém,
    pois enquanto baixa a bóia, vão comer vocês também,
    e o índio apresilha a gaita se rindo de oreia a oreia,
    se avança mesmo que um sorro, numa paleta de oveia,
    nesses bailes da comparsa, se dança até que clareia,
    o povo é loco por fandango e loco por carne de oveia”.

    PORQUE O GAÚCHO FALA PELEIA.


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    No centro do País, muitos perguntavam por que o Gaúcho é brigão, tem essa fama de lutador.  E até para palavra “luta” tem outra palavra, “Peleia”, por que disso, muitos questionam e brincam. Nossa nação Rio-grandense nasce nas missões e em seguida ocorre Guerra Guaranítica, depois as revoluções, de 35 e muitas outras, quando as fronteiras do Brasil no Prata não eram estabelecidas e pelear era a forma de manter suas terras e rebanhos.
    O Rio Grande trabalhou muitos anos para que o Império dormisse tranquilo e o assunto poderia se estender por muito tempo. Não há cidade no Rio Grande do Sul que não tenha perdido um filho na segunda guerra mundial. E esse assunto pode se desdobrar muito e para simplificar deixo a vocês a Payada (poema para os que não nasceram na nação pampeana) Bolicho, de Jayme Caetano Braun. A luta mais conhecida, a peleia mais rinha dura que talvez nunca tenha existido, mas não há gaúcho que não se comova ou a desconheça e que dará horas de tradução, para os desafortunados que não conhecem o valor de ter nascido no garrão da pátria e ser de uma estirpe guerreira.
    Simplificando mais ainda “Pelear - brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar. 
    Expressar algo difícil então se diz pelear. Peleando em favor da pampa a pilcha sovada em tira”.
    Como nos auxiliou Rose Ortaça: "P
    eleio pra conseguir as coisas, peleio para mudar as coisas, pelas coisas que acredito. Vem do passado no DNA o instinto de peleador"! Zeni Paulo de Souza "Não tá morto quem peleia"!
                                                   Bochincho Jayme Caetano Braun, 
    --A um bochincho - certa feita, fui chegando - de curioso, que o vicio - é que nem sarnoso, nunca pára - nem se ajeita. Baile de gente direita, vi, de pronto, que não era, na noite de primavera, Gaguejava a voz dum tango, e eu sou louco por fandango, que nem pinto por quireral.
    --Atei meu zaino - longito, num galho de guamirim, desde guri fui assim, não brinco nem facilito. Em bruxas não acredito, 'Pero - que las, las hay', sou da costa do Uruguai, meu velho pago querido, e por andar desprevenido, há tanto guri sem pai.
    --No rancho de santa-fé, de pau-a-pique barreado, num trancão de convidado, me entreverei no banzé. Chinaredo à bola-pé, no ambiente fumacento, um candieiro, bem no centro, um lusco-fusco de aurora, pra quem chegava de fora, pouco enxergava ali dentro!
    --Dei de mão numa tiangaça, que me cruzou no costado, e já sai entreverado, entre a poeira e a fumaça, oigalé china lindaça, morena de toda a crina, dessas da venta brasina, com cheiro de lechiguana que quando ergue uma pestana, até a noite se ilumina.
    --Misto de diaba e de santa, com ares de quem é dona, e um gosto de temporona, que traz água na garganta. Eu me grudei na percanta, o mesmo que um carrapato, e o gaiteiro era um mulato, que até dormindo tocava, e a gaita choramingava, como namoro de gato!
    --A gaita velha gemia, ás vezes quase parava, de repente se acordava e num vanerão se perdia E eu - contra a pele macia daquele corpo moreno, sentia o mundo pequeno, bombeando cheio de enlevo dois olhos - flores de trevo com respingos de sereno! 
    --Mas o que é bom se termina, - cumpriu-se o velho ditado, eu que dançava, embalado, nos braços doces da china, escutei - de relancina, uma espécie de relincho, era o dono do bochincho, meio oitavado num canto, que me olhava - com espanto, mais sério do que um capincho!
    --E foi ele que se veio, Pois era dele a pinguancha, bufando e abrindo cancha, como dono de rodeio.
    Quis me partir pelo meio, num talonaço de adaga, que - se me pega - me estraga, chegou levantar um cisco, mas não é a toa - chomisco! Que sou de São Luiz Gonzaga!
    --Meio na volta do braço, Consegui tirar o talho, E quase que me atrapalho, Porque havia pouco espaço, mas senti o calor do aço, e o calor do aço arde, me levantei - sem alarde, por causa do desaforo, e soltei meu marca touro num medonho buenas-tarde!
    --Tenho visto coisa feia, tenho visto judiaria, mas ainda hoje me arrepia, Lembrar aquela peleia, Talvez quem ouça - não creia, mas vi brotar no pescoço, do índio do berro grosso, Como uma cinta vermelha, E desde o beiço até a orelha ficou relampeando o osso! 
    --O índio era um índio touro, mas até touro se ajoelha, cortado do beiço a orelha, amontoou-se como um couro, E aquilo foi um estouro, daqueles que dava medo, espantou-se o chinaredo, E amigos - foi uma zoada, Parecia até uma eguada, Disparando num varzedo!
    --Não há quem pinte o retrato, dum bochincho - quando estoura, tinidos de adaga – espora, e gritos de desacato. Berros de quarenta e quatro, de cada canto da sala, e a velha gaita baguala, num vanerão pacholento, fazendo acompanhamento, do turumbamba de bala! 
    --É china que se escabela, redemoinhando na porta, e chiru da guampa torta, que vem direito à janela, gritando - de toda guela, num berreiro alucinante, índio que não se garante, vendo sangue - se apavora, E se manda - campo fora, levando tudo por diante! 
    --Sou crente na divindade, morro quando Deus quiser, Mas amigos - se eu disser, Até periga a verdade, naquela barbaridade, de chínaredo fugindo, de grito e bala zunindo, o gaiteiro - alheio a tudo, tocava um xote clinudo, já quase meio dormindo! 
    --E a coisa ia indo assim, balanceei a situação, - Já quase sem munição, todos atirando em mim. Qual ia ser o meu fim, me dei conta de repente, não vou ficar pra semente, mas gosto de andar no mundo, me esperavam na do fundo, Saí na porta da frente... 
    --E dali ganhei o mato, abaixo de tiroteio, e inda escutava o floreio, da cordeona do mulato, e, pra encurtar o relato,  Me bandeei pra o outro lado, cruzei o Uruguai, a nado, que o meu zaino era um capincho, e a história desse bochincho faz parte do meu passado!
    --E a china - essa pergunta me é feita, a cada vez que declamo, É uma coisa que reclamo, porque não acho direita considero uma desfeita, que compreender não consigo, eu, no medonho perigo, duma situação brasinha, todos perguntam da china, e ninguém se importa comigo!
    --E a china - eu nunca mais vi, no meu gauderiar andejo, somente em sonhos a vejo, em bárbaro frenesi. Talvez ande - por aí, no rodeio das alçadas, ou - talvez - nas madrugadas, seja uma estrela chirua, dessas - que se banha nua, no espelho das aguadas.
    Jayme Caetano Braun acompanhado por Cenair Maicá recitando a Payada Bochincho.

    PROPIEDADES MEDICINAIS DO CHIMARRÃO


     

                                                         Chimarrão e sua Espuma

     

             
                                 
      Erva Mate (Ilex paraguariensis), originário da região subtropical da América do Sul.
     Os indígenas da nação Guarani tinham o hábito de beber infusões com suas folhas, hoje em dia este é hábito de toda a grande região gaúcha e se propaga por todo o mundo como costume saudável e maravilhoso ingrediente em qualquer conversa ou relacionamento presencial.
              A erva comercial é preparada de modo a se evitar a fermentação das folhas mediante flambagem das mesmas logo após o colhimento. Um ritual antigo e comum ainda nos dias de hoje é o Carijo, ritual indígena da produção de Erva Mate.
              Estudos tem demonstrado que quando servimos o mate com térmicas de pressão, a força da agua ao revirar a erva provoca mais espumas e é nestas espumas ou no mate a ser sorvido aumento a quantidade destas enzimas beneficiando ainda mais o organismo com nossa seiva. 
              Os três alcalóides principais são a cafeína, a teofilina e a teobromina que se encontram, respectivamente, no café, nas folhas de chá e no cacau. Encontram-se também noutras bebidas, como nas colas e em muitos medicamentos analgésicos, anti-histamínicos, etc.
              Estudos indicam como constituintes da erva mate os seguintes compostos: água, celulose, gomas, dextrina, mucilagem, glicose, pentose, substâncias graxas, resina aromática, legumina, albumina, cafeína, teofilina, cafearina, cafamarina, ácido matetânico, ácido fólico, ácido caféico, ácido virídico, clorofila, colesterina e óleo essencial.
              Nas cinzas encontram-se grandes quantidades de potássio, lítio, ácidos fólico, sulfúrico, carbônico, clorídrico e cítrico, além de magnésio, manganês, ferro, alumínio e traços de arsênico. 
              O Chimarrão é rico em cafeína, teofilina e teobromina são três alcaloides (substâncias encontradas em certas plantas e com uma forte ação no metabolismo e fisiologia do organismo), estreitamente relacionados, encontrados na erva mate e são os compostos mais interessantes sob o ponto de vista terapêutico. 
              Com um correto processamento da erva, obtem-se um produto de propriedades nutritivas e terapêuticas superiores, considerando-se as enzimas nele contidas, porém, as propriedades gustativas do mate são alteradas

    quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

    O PASSAR DE MÃO EM MÃO

           
                 O CHIMARRÃO NO RIO GRANDE É DIFERENTE DOS HERMANOS.

    De todas as nossas tradições, a história de nossa gente brava, que não em poucas vezes dominaram o país e fizeram o império e o centro do Brasil dormir tranquilo, pois o Gaúcho estava aqui, sustentando no osso um país com tamanho continental. 
    Pois é, a irmandade dos brasileiros, esta grande mistura de raças, credos e origens, talvez este “jeitinho brasileiro”, o chimarrão do Gaúcho Brasileiro é diferente dos demais países Hermanos, nós temos frases celebres como:
    “passar de mão em mão”
    “entra na roda do chimarrão”
    “o chimarrão transforma todos em irmãos”
    “Chimarrão solução para o mundo”
    “Prepara teu chimarrão para que o mundo todo tome, mate amargo santo nome na religião dos andejos, os que sentiram teus beijos não pode morrer de fome” Jayme Caeteno Braun
    O chimarrão para nós, gaúchos de corpo e alma, o mate faz parte do ritual de receber e ser bem vindo. Este é o grande motivo do mate estar ganhando espaço na Europa e Estados Ùnidos, o hábito mais do que saudável se soma a olhar, a confraternizar, ter relacionamento.
    Se você viajar para a Argentina ou qualquer país vizinho, o mate não será oferecido, as pessoas vão secar térmicas em sua frente e não vão oferecer e caso você venha pedir um chimarrão, bem provável ouvira a resposta “No compartilho”. Compartilhar o mate é uma tradição nossa, uma necessidade educacional. 
    Em outros países é comum encontrar grande numero de pessoas reunidas tomando mate cada um com o seu aparelho de chimarrão. Têm locais caso você queira tomar um mate como em uma feira ou evento eles tem bancas que alugam uma térmica, cuia e bomba.  Cabe recitar os versos que canta João Chagas Leite.
    "Seiva de Vida e Paz"
         Quando nas rodas de mate sinto a querência reunida ao ver a cuia estendida num gesto amigo e simplório, neste xucro ofertório entendo melhor a vida.
         Quando vires pelo pago o ritual do chimarrão unindo patrão e peão reze pra que a humanidade partilhe dessa igualdade em campeira comunhão. 
         Seiva verde, mate é vida passando de mão em mão ora amargo, ora doce, cevado no coração.
         Se os senhores da guerra mateassem ao pé do fogo deixando o ódio pra trás, antes de lavar a erva o mundo estaria em paz!’
    Por isto quando um Hermano lhe convidar para tomar um chimarrão, leve o seu.