sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

LENDAS DO SUL

 

                                                                LENDAS.

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Cada região ou comunidade tem suas lendas, costumes entranhadas e as vezes passam desapercebidas, mas que são a verdadeira fonte que forma a personalidade de um povo e somado a outros fatores como colonização, língua, gastronomia e outros acaba entrosando e miscigenando tudo em uma só palavra “Nação”.
A Região das Missões Jesuíta é rica em costumes, crenças e lendas, como a Origem da Cruz de 4 Braços ou pedra Itacuruacir que nos aproxima de Deus ao ser perdida tanto que na verdade ela compreendia quase todo o estado do Riogrande, com exceção da região de Pelotas e Rio Grande de onde partiram os europeus para guerrear pelo Império contra os Missioneiros e este povo também contribui-o para a soma dos fatores que fazem do “Gaúcho um Raça, uma Nação”.
Por exemplo temos em São Borja Maria do Carmo, Santa Missioneira e Profana, da Terra dos Presidentes, em Santo Ântonio das Missões temos as histórias da Lenda da FigueiraSanto dos TropeirosUma Janelinha do Céu nas Missões ou Chapéu de Santo Antônio, na Buena Terra Missioneira o Cemitério dos Cativos e as histórias incriveis das Taipas de Pedra na região. Como se faz um fantasma em Giruá com O Delator de Artur Arão, em Eugênio de Castro tem a Lenda Lagoa da Mortandade - Lagoa do Chaine um lugar lindo e Sete de Setembro tem Lenda Noiva de Sete de SetembroO Sino De Sete, Se Toca Por Um, Morrem Três, já São Paulo das Missões tem a Lenda Segredo entre Mãe e Filho terra de orquidários  com a Lenda da Orquídea, Roque Gonzales Lenda Cerro do Inhacurutum e Porto Xavier nos trás história que atravessam fronteiras como a Lenda do Monge e o Cerro PeladoCruz de Pau Ferro e lugares lendários como a Gruta de Todos os Santos e o Espelho do Monge o Patrimônio Histórico da Humanidade em São Miguel das Missões tem Lenda da M’boi Guaçu - Cobra Grande de São Miguel e suas marcas negras pela torre nas ruínas e bem como ali pertinho a Anti-homendagem JAZ e Sua Justiça. Nesta terra onde nasce a raça chamada Gaúcha temos por si só todos os Mistério do Chimarrão e a Lenda Da Erva Mate, tudo o que envolve o que envolvem o Chimarrão em um roteiro, isso sem falar na mais bela lenda do Brasil  O Negrinho do Pastoreio acompanhada do Boitatá - Protetora do Pampa Contra Incêndios ou Lenda Alecrim. Em Santo Ângelo o Ritual do Anjo da Guarda Missioneiro e o Ritual da Lua Cheia e a Pitangueira que nos abençoam com uma verdadeira herança de cultura e se espalha por toda a Região Missioneira.

LAÇO

 
 
 

                                                         LAÇO DE 12 BRAÇAS.
 
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       A origem do laço é de diversos países e onde havia captura de animais estilizado ou não o laço surge.
       No Rio Grande do Sul, o uso da corda de couro trançado para laçar animais foi introduzido pelos índios guaranis, das missões jesuíticas. O laço surgiu em decorrência da necessidade de capturar as manadas de gado – o pilar econômico da província, pois fornecia a carne como alimento e a courama para as habitações e os utensílios. (Prear capturar gado selvagem)

 O lendário Maneco Pereira ganhou fama ao laçar animais utilizando os pés.
Manuel Bento Pereira (1848-1926)
       O laço também foi usado em tempos de ira e guerra. Há relatos de gaúchos que teriam arremetido contra infantarias, laçando canhões fumarentos.  Há relatos de 1809, de que os rio-grandenses eram mais hábeis no laço do que ao gatilho dos mosquetões. O historiador Alfredo Varela, no livro História da Grande Revolução, relatou a eficácia da laçada:
       – ... Com ela não erram jamais a pontaria ou o golpe... é valente e arrojada as atitudes destes cavaleiros, à distância de 30 metros, com a velocidade de uma bala e com a mesma é seguro ou arrastado o objeto alcançado. O sargento Nóbrega foi vítima desta arma. Tenhas medo desta arma nas mãos de um gaúcho a galope!
       O laço é um dos instrumentos mais úteis para o gaúcho no pampa, tanto nas troperiadas de gado como nos trabalhos rotineiros de campo ou nos rodeios.
       
Serve para laçar gado e cavalos, quando algum animal foge ao controle ou precisa ser curado/marcado ou castrado. No caso das competições ele pode ser “chumbado”, ou seja, trançado ao redor de um cordão com pequenos pesos de chumbo. Isto dá mais peso e precisão na laçada, especialmente se no dia da competição estiver ventando muito.

       O comprimento do laço é variável, mas os maiores medem uma base de “12 braças” (medida equivalente à distância entre as duas mãos quando se está com os braços abertos).
       Hoje em dia, além de seu uso tradicional como instrumento de trabalho, o laço tornou-se uma peça decorativa bastante procurada por visitantes que vêm ao pago gaúcho. Por esta razão, a peonada têm conseguido aumentar sua renda através da venda de laços como artesanato para turistas.
       Antes de estar pronto para o manuseio, o couro de vaca utilizado pelos peões em seus artefatos precisa passar por uma série de processos, que serão descritos a seguir.

 Como dizem no pampa, “da vaca só não se aproveita o mugido”...

  1.       O primeiro passo é a retirada do couro do gado recém-abatido. Este couro obviamente vem com impurezas – restos de carne e gordura, sangue e pelos. Para iniciar seu preparo, é preciso realizar dois processos: “DESPELAR” e “LONQUEAR”, ou seja, retirar os pelos e restos de carne e gordura com auxílio da faca “companheira” muito bem afiada. Durante a retirada do couro, deve-se ter extremo cuidado para não “feri-lo” com a faca pois qualquer corte inviabilizará seu uso para confecção do laço.
 2.       A seguir, o couro é ESPETADO ou ESTAQUEADO – esticado ao sol e amarrado próximo ao galpão dos peões, em uma armação retangular de madeira. É interessante destacar que, durante este processo, aves como o carcará ou galinhas auxiliam na retirada de restos de carne que porventura tenham permanecido no couro.
 3.       Com o couro já seco, é hora e LONGUEAR a peça. Isto significa cortá-lo em uma espiral de fora para dentro, formando uma longa tira única, da mesma forma que ocorre quando se descasca uma laranja. Se o couro estiver muito duro, ele pode ser SOVADO com o instrumento chamado sovador – um pequeno toco de madeira com uma fenda longitudinal, por onde a tira de couro é passada e dobrada continuamente para amaciar e ficar mais maleável.
 4.       A próxima etapa é TIRAR OS TENTOS – cortar esta tira única em tirinhas mais finas, da espessura que será utilizada na confecção do laço. Para este serviço, ela é pregada a um dos esteios do galpão dos peões.
 5.       Tudo pronto está na hora de trançar o laço, certo? Ainda não... Se os tentos forem trançados neste estágio, as quinas estarão afiadas (imagine um corte transversal ao tento – ele terá a forma de um retângulo com quatro cantos de 90 graus) e acabam cortando os tentos sobrepostos, diminuindo assim a resistência do laço. Portanto, eles precisam ser DESQUINADOS, ou seja, com a faca mais afiada ainda, o peão deve arredondar os cantos de cada tento (geralmente os laços são trançados com 4 tentos, técnica conhecida simplesmente como “trança de quatro”). Imagine “desquinar” com a faca, com extremo cuidado e precisão, 48 “braças” de couro com largura de menos de 1 centímetro!
 6.       Finalmente, é hora de trançar o laço. Para isto, o melhor horário é de madrugada, antes do sol nascer, quando o sereno deixa o ar mais úmido e o couro mais maleável. Os tentos são novamente pregados (ou amarrados) no esteio do galpão, e o peão começa a trançá-lo. A cada trançada, o tento é passado pelas costas e tensionado pelo próprio peso do gaúcho, que inclina seu corpo para trás, deixando a trança bem ajustada.

Para outros produtos (confecção de arreios, cadeiras, redes, botinas, etc), o couro precisa ser trabalhado em um curtume, onde passará pelos seguintes processos:
 1.       Depois de retirado, o couro é colocado em um tanque com palha de arroz, que ajuda a secá-lo evitando seu apodrecimento.
 2.       Já seco, passa-se o couro para outro tanque com sal grosso, que o conservará até que o curtumeiro esteja disponível para trabalhá-lo.
 3.       O curtumeiro retira este couro do sal e coloca-o em um tanque com cal e água, para retirar os restos de carne, gordura e pêlos.
 4.       A etapa seguinte é o curtimento do couro em um tanque com água e casca do angico vermelho (uma árvore leguminosa muito popular no Pantanal, rica em tanino). Isto o deixará com uma cor mais bonita e ajudará na sua conservação.
 5.       Após este processo, o couro está pronto para ser trabalhado, passando por procedimentos semelhantes aos descritos anteriormente para a confecção do laço.


                                                  

CHIMANGOS E MARAGATOS ORIGEM DOS TERMOS.



                                                  CHIMANGOS E MARAGATOS


MARAGATO
O termo tinha uma conotação de deboche, ironia, pejorativa, atribuída pelo imperialistas e legalistas aos revoltosos liderados por Gaspar Silveira Martins, que deixaram o exílio, no Uruguai, e entraram no RS à frente de um exército.Como o exílio havia ocorrido no Uruguai numa região colonizada por pessoas originárias da Maragateria (na Espanha), os republicanos apelidaram-nos de "maragatos", buscando caracterizar uma identidade "estrangeira" aos federalistas.Com o tempo, o apelido assumiu significado positivo, aceito e defendido pelos federalistas e seus companheiros.
O lenço vermelho identificava o maragato.


CHIMANGO 
A grafia pode ser ximango. Ave de rapina muito comum na campanha riograndense, falconídea, pessoal rapineiro, oportunista, caçador que é da terra.
Alcunha depreciativa dada aos liberais moderados pelos conservadores, no início da monarquia brasileira. No RS, nos anos de 1920, foi à codinome dada pelos federalistas aos governistas do PRR. Honório Lemes Maragato contra Flores da Cunha Chimango (pica-pau).
O lenço de cor branca identificava os chimangos.
O lenço de pescoço é um dos símbolos mais fortes do gaúcho, seu orgulho e sua honra. Muitas vezes foi também símbolo político. Em 1893 foram “maragatos” contra “pica-paus” (lenço vermelho contra lenço branco) e em 1923 foram “maragatos” contra “chimangos” (novamente o embate das duas cores tradicionais) e em 1930 o lider e estrategista Getúlio Vargas uniu brancos e colorados, maragatos e chimangos e literalmente “invadiu” o Brasil...

TAVA OU JOGO DO OSSO

                  
                                                            JOGO DO OSSO
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Suorte ganha, Culo perde!
Regulamento e história de um dos Jogos mais antigos da humanidade.
 Antecedência: A peça Tava é um osso retirado do calcanhar do boi o nome desse osso é astrágalo.
Rodopiando a três metros do chão, ao ser lançada em direção à raia, a TAVA ou JOGO do OSSO desenha uma trajetória pelo tempo e pelo espaço – existem vestígios pelo menos há três séculos a.C., na Ásia, Árabes e persas já o praticavam.
A própria palavra "taba", ou "Tava", teria sua raiz etimológica no vocábulo hebreu "ka-ba". "Lab-el-kab" era denominado o jogo dos árabes. Chegou o jogo à bacia do Prata pelas mãos espanholas pelos idos de 1620, pelos colonizadores da Bacia do Prata por este motivo no Rio Grande do Sul, os termos sofreram grande influencia da língua castelhana em sua terminologia tais como: "userte", "culo", "clavada" e "gueso". 

                                          Regulamento para o Jogo do Osso. 

 Peças do Jogo do Osso ou Tava.
Ademais, a história gaúcha do Jogo do Osso, confunde-se no início, com a história platina e a conquista dos Sete Povos, em 1801. A Região do Prata (Brasil, Uruguai e Argentina) uma espécie de terra de ninguém em permanente disputa de posse entre Espanha e Portugal. Milicianos e aventureiros, mestiços e gaudérios, não conheciam outras fronteiras senão aquelas onde abundavam o boi e o cavalo os costumes eram comuns entre todos e a cor da bandeira trocava conforme os interesses e ambição pessoal - o churrasco, o chimarrão, a doma dos potros, o estilo de montar, o abater e carnear o boi era comum a toda a região pampeana e natural, portanto, que nessa identidade ampla de usos e costumes, os jogos de recreio como a cancha-reta e a Tava fossem comuns a todos nesta nação platina.
Assim o Jogo do Osso, Tava se enraizou na cultura e nos costumes do gaúcho.

   A TAVA
Instrumento com que se pratica o jogo do osso -, também chamada "taba", "osso" ou "garrão", provém do astrálago, osso do jarrete do animal vacum. A norma, para conseguimento de uma boa TAVA é, logo após sua extração do jarrete do animal abatido, enterrá-la por cerca de dois a três meses em terreno nem muito seco, nem muito úmido - processo a que se chama "curar o osso". É comum, igualmente, colocar o astrálago na boca de um formigueiro de campo, provando um processo de inteira limpeza por parte das formigas.

   Posições da TAVA no solo
Após o arremesso a TAVA pode estabilizar-se em pelo menos OITO posições, cada uma delas com seu nome:
**1 SUERTE ou SORTE - parte ganhadora para cima, é quando a parte que possui o enfeite, corte, algumas são torneadas em ouro ou bronze, nas mais simples geralmente a cabeça dos grampos ou rebite são destacados, mas todas tem uma característica a Suerte possui a ponta menor e em formato de “S”. Quando ela cai chapada ao solo chamam também de “Sorte Corrida”.

**2 CULO - parte ganhadora para baixo, é a parte da base da Tava, o lado mais reto e possui uma pequena lamina em uma das pontas que se ressalta na peça que ferra o osso. Algumas Tavas no lado do “Culo” são feitas de ferro escuro e adquirem a cor preta no lado escuro da sorte. Quando ela cai chapada ao solo chamam de “Culo Corrido”, também.

CLAVADA - quando a saliência, uma das pontas ficam cravadas(clavar), enterra-se no chão, qualquer das pontas enterradas deixam a Tava na diagonal. Uma das pontas enterrada deixa a Tava inclinada cravada ao solo.

**3 e 4 "SUERTE CLAVADA" quando a parte da Suerte, fica para cima com ela cravada. É a o tiro-rei das canchas do jogo do osso. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.

**5 e 6 CULO CLAVADO - quando a parte do Culo, fica para cima com a Tava cravada. Tanto faz o ângulo do declive, 90º ou 270º, direita ou esquerda.

**7 GUESO ou OSSO - posição que não é nem "suerte" nem "culo", com qualquer dos lados não ferrados para cima.

**8 "31" - "TOURO" ou “OSSO” - variação do gueso com a Tava exatamente na vertical.
Parada – é cada disputa, cada aposta. 

     Espécies de arremessos
Os arremessos exigem manejo especial da Tava, com posições de saída e métodos de lançamentos quase inflexíveis. Todo bom jogador precisa conhecer os vários métodos, que podem ser volta-e-meia (Tava dá uma volta e meia no ar), duas-e-meia, duas voltas, três voltas e o carreteiro (lançamento da Tava sem manejo especial, nem preocupação com número de voltas ou giros - dá se esta denominação por lembrar a sua anti-técnica o ato de lançarem os carreteiros um osso de fervido, ou costela já pelada da carne, ao guaipeca que normalmente acompanham-os nas carretadas pelo pago).

     Coimeiro
Pessoa encarregada pelo movimento. É quem vende e troca às fichas, o que cobra a "coima", percentagem fixa sobre as paradas pagas. É a versão acrioulada do "croupier" internacional dos cassinos.

     Dinâmica do jogo
Não há regras escritas sobre o jogo do osso, mas existem normas gerais a serem respeitadas através da tradição oral.
O que é: jogo entre equipes em que o objetivo é marcar a maior pontuação ao arremessar a tava, que é o osso do garrão do boi com chapas de bronze e ferro.
Equipes: 3 ou 4 pessoas (em caso de 4, a menor pontuação é descartada). É possível jogar sozinho e concorrer apenas na pontuação individual.
 
Onde jogar:
Cancha com o mínimo de 7m e máximo de 9m (entre os picadores). Nela, é marcado o “picador”, um espaço com terra molhada ou argila de no mínimo 2m e máximo 3m de comprimento por 2m de largura em cada raia. Dentro dele deve ser delimitada a bacia (50cm x 50cm).
O jogo começa quando o coimeiro "grita banca", já com a cancha preparada, o par de Tavas e as fichas à sua frente. Geralmente é quem estipula o valor das primeiras paradas: "Duzentos mil réis é a banca! Quem se habilita?”.
Apresenta-se um jogador que compra as fichas, escolhe a Tava de sua preferência e encaminha-se para uma cabeceira. Apresentando-se o oponente que compra fichas e depositam na mão do coimeiro o valor da parada que anuncia "Está copada a parada! Vale jogo!”.
Atira o que levantou a primeira Tava. Imediatamente, da outra cabeceira, o oponente. Teve início o jogo.
O coimeiro só paga a parada para o jogador que somar dois lances positivos:
duas "suertes" do mesmo jogador, contra nenhuma do oponente
uma "suerte" somada a um "culo" do oponente
dois "culos" do oponente contra dois "güesos" do favorecido.
Acontecendo "suerte" contra "suerte", "culo" contra "culo", ocorre empate que é chamado de "senão". Não é raro a parada decidir-se depois de vários tiros, pela ocorrência de "senões" seguidos.
Os atiradores só ganham a parada quando favorecidos por dois lances, mas no "jogo de fora", a questão se decide a cada lance. Joga-se de fora (do jogo, da cancha) a favor ou contra o tiro de quem arremessa.
Ao pagar a parada ao atirador vencedor, o coimeiro já desconta a coima (comissão).
Quando um dos atiradores desiste do jogo, deixando a Tava na cabeceira, qualquer assistente pode "copar a parada", "apertando a Tava", qe é o atao de colocar o pé em cima, ao mesmo que anuncia: "Copei a parada!".
Quando um dos jogadores, durante o jogo, resolve trocar de Tava, o coimeiro anuncia "Cambiou de Tava".
 Desviada a Tava de seu curso por qualquer acidente natural, seja uma pedra próxima, uma raiz, galho seco, o tiro não perde validade. São casos que acontecem com alguma frequência nos tiros de "carreteiro", quando a Tava rola sem direção determinada.
Fato interessante, quando a gauchada se reunia para lançar a Tava, uns limpavam a cancha e outros caso não tivesse água, cavavam um buraco e migavam para fazer o barro que acolhe o tiro da Tava. Isso de nada incomodava os participantes.
Sempre se formava um bolicho em algum canto aparecia uma barraca, a bebida para gelar, o gelo guardado em buracos forrados com serragem ou em riachos para gelar. Uns traziam em uma tábua com um couro sobre os ombros como uma bandeja pastel de carreira, massa com carne e ovo frita em banha.

      Trampas
Significa má fé, engodo, artifícios para favorecer uma das partes ou, o mais usual, o próprio coimeiro. Entre as antigas formas citam-se:

CARGAR A TAVA - colocar uma esfera de chumbo ou de ferro no interior do osso que tendia a estabilizar-se no terreno em posição, quase sempre, de "suerte" ou somente de "culo".

BARRO - Colocar sob o "barro", a cerca de meio palmo de profundidade, um pelego com lã para cima, com o que, segundo os aficionados, era quase impossível conseguir-se uma "suerte" clavada. O pelego enterrado conferia ao "barro" certa elasticidade, fazendo a TAVA saltar bem mais que o normal.
     Assuntos abordados na oficina ou textos para Peão ou Prenda de CTG:
1-     A Tava;
2-     Posições da Tava no Solo;
3-     Espécies de Arremessos;
4-     Dinâmica do Jogo.
 
7. Expressões
Alarula, tia Carula, china e ficha não se adula!
Dito por quem recolhe as fichas, por haver apostado no tiro que deu "suerte". Há conotação machista no refrão
Cospe no buraco
Crença de que cuspindo-se na TAVA do contrário o azar o perseguirá.
É macho, alumiou pra baixo!
Expressão usada por quem jogou contra o tiro e a TAVA se estabiliza na posição perdedora de "culo". O "alumiou para baixo" quer significar que a face mais brilhante da TAVA (a da "sorte", recoberta de bronze) ficou chapada contra o terreno.
Jogador não tem vergonha"
Expressão usada no momento em que os ganhadores levantam do chão as fichas ou o dinheiro apostado na parada - jogador não tem vergonha por entregar-se ao vício do jogo.
Louca também se casa!
Saudação a um lançamento mal feito, especialmente o "carreteiro", que resulte numa "suerte".
Mão fria não bota suerte!
É preciso aquentar o corpo e as mãos para lançar-se a TAVA com habilidade.
Não é só butiá que dá em cacho!
Quando um atirador repete várias "suertes"
Jogo do Osso - Bendito aquele que estuda porque estudar é importante, embora o ignorante tem sempre um santo que ajuda, por isso não encabulo - que a TAVA que bota CULO é a mesma que bota sorte!

CAFÈ GAÙCHO

                                        
                                           Café de Cambona ou Café de Tropeiro
 
 


                                      
Os gaúchos adotaram o costume vindo dos mascates, chegavam, faziam fogo e colocavam as cambonas com água para esquentar. Montavam um local parecido com um acampamento, desencilhavam os cavalos, tirando das malas de garupa o café, as bolachas e o açúcar. O café de cambona tem um forte cheiro agradável e conforme o tronco do brasão que se bota da um aroma diferente e um tempero a mais no café.
Em geral, os tropeiros e carreteiros costumavam dividir as obrigações do fogão entre si. Enquanto um fazia o café, outro podia ser o assador, ou fazer o mate, a outro, a responsabilidade de juntar lenha, por isso também conhecido como café de tropeiro.
Quem ficava encarregado de fazer café, colocava a água a ferver na cambona, depois retirava do fogo e despejava dentro dela duas colheres de café em pó. Mexia com a ponta da faca até dissolver todo, ou com uma colher, depois voltava com a cambona ao fogo. Quando levantava nova fervura, retirava do fogo e colocava um tição aceso dentro do café, provocando uma ebulição. Mantinha o tição dentro do café por segundos. Com as costas da faca, dava algumas pancadinhas por fora, na cambona.
Sentavam nos arreios ou nos pelegos dobrados para tomar o café que era acompanhado por bolachão ou pão caseiro, trazido na mala de garupa. Alguns preferiam ficar acocorados nos "garrões", como é hábito entre nosso homem do campo, herdado dos índios. A sobra do café nas cambonas era posto fora e as vasilhas bem lavadas na sanga.