segunda-feira, 19 de maio de 2014

TESOURINHA UM LUXO de FACA


                                       Facas de Tesouras de Tosquia.
               
Denominação dada as tesouras utilizadas no corte da lã das ovelhas
Há mais de um século essas tesouras foram empregadas na tosquia de ovelhas no Rio Grande do Sul.
 Adaptadas com facilidade, por seu clima frio e boas pastagens nativas de campo fino, o estado possui o maior rebanho de ovelhas do país e o maior acervo de tesouras de tosquia.
 Hoje, substituídas por modernas máquinas de tosquiar, foram esquecidas nos galpões das fazendas.
 
                                     Dos galpões das estâncias para a cintura dos gaúchos.
 
De forma artesanal, há muito tempo, essas antigas tesouras passaram a ser transformadas em facas por ferreiros e artesãos cuteleiros no interior do estado, notadamente na zona da campanha.
                    A qualidade do aço carbono de alto teor dessas tesouras, o mesmo empregado nas facas produzidas na época, despertou o interesse de cuteleiros qualificados que passaram a transformá-las em facas de excelente qualidade.

 
                                      Destaque especial e capítulo a parte na cutelaria gaúcha
 
A transformação das tesouras em facas é tarefa trabalhosa e requer conhecimento na área de cutelaria.
No seu formato original tem curvatura para a ponta e para o fio e não apresenta toda a dureza que essa nomenclatura de aço pode oferecer, por desnecessária para tesoura.
Na transformação precisa ser:


 O antigo método de tempera, hoje substituído por tratamento térmico em modernos fornos, permitem que os aços das tesouras Inglesas e Alemãs atinjam até 58 HRC.
No processo artesanal rudimentar são aquecidas, batidas e recortadas a esmeril, destemperando e tornando-as inadequadas ao uso.
Um desperdício para um material de qualidade, em extinção.
As tesouras produzidas no Brasil, Uruguai e Argentina não possuem a mesma qualidade, razão pela qual não farei  referência a nenhuma marca.

  Observação:
 As tesouras Sheffield sem a inscrição England foram produzidas entre 1830 à 1890.

                                     Marca mais valorizada no Rio Grande do Sul
 

Marca ou Logomarca
Localidade
País
Época
Scholberg & Cia (coqueiro)
Liége
Bélgica
1888 a 1936
Broqua & Scholberg (sol)
Liége
Bélgica
1888 a 1936
 
Conhecida como coqueiro em pé ou deitado, a marca da SCHOLBERG é parte do folclore e das tradições gaúchas, tanto em facas, tesouras de tosquia, sabres ou espadas.

Esses materiais eram importados de Liége na Bélgica de 1850 a 1936.

Inicialmente por Scholberg & Gaddet, sendo sucessores Scholberg & Joucla e posteriormente Scholberg & Cia.
.
Essas peças são disputadas por colecionadores, tradicionalistas e usuários bem informados.
 
É BOM SABER:
Celebrated, Waranted, Cast Steel e Englisch Steel, sem menção a uma cidade Inglesa, indica que as lâminas foram produzidas na Alemanha, Áustria e Boêmia e eram destinados ao mercado nortes americanos até 1891.

Uma lei tarifária do Estados Unidos de 1890 passou a obrigar que o nome do país de origem esteja timbrado na lâmina das facas importadas. Essa prática foi adotada por muitos fabricantes.

CAST STEEL – aço fundido inventado em 1740 para fazer molas de relógios, foi muito usado em lâminas entre 1840 e 1920.

STAINLESS STEEL – aço inoxidável inventado em 1914.

SHEAR STEEL e DOUBLÉ SHEAR STEEL – aço aparado ou duplamente aparado – tipo de lâmina obtida do golpeamento de cilindro de aço em alta temperatura. O termo “Doublé” era usado quando inicialmente o próprio cilindro era obtido dessa forma.

A WILKINSON iniciou atividades em 1772 fabricando espadas e armas de fogo. Em 1804 lhe foi conferido o título de Armeiro Real, quando passou a fabricar as espadas do Reino Inglês. A partir de 1887 começou a fabricação de navalhas de altíssima qualidade e outros.

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