terça-feira, 17 de setembro de 2013

CAMINHO FARROUPILHA


A Semana Farroupilha é um evento festivo da Cultura gaúcha, que se comemora de 14 a 20 de setembro com desfiles em homenagem a líderes da Revolução Farroupilha. O evento lembra o começo da Revolução Farroupilha, mais longa revolução do Brasil, que durou quase dez anos e tinha como ideal liberdade, igualdade e humanidade.
Um povo forjado pela história transformou esse pedaço de solo brasileiro em palco de lutas, crenças e tradições.
A figura do gaúcho se confunde com um cenário único, da imensidão dos campos, águas fartas e muita, muita história para contar.
 Palco principal da Revolução Farroupilha, que por dez anos tingiu de bravura e determinação o horizonte do pampa, hoje empresta sua história para novas conquistas. Conquistas de olhares que se perdem num infinito horizonte, conquistas do tempo e das lendas que caracterizam um povo hospitaleiro e orgulhoso de seu passado, conquista de história, presente em museus, charqueadas e que permanece viva nas Estâncias Gaúchas, onde se perfuma com os cheiros característicos da culinária campeira.
 Conquistas de conversas junto ao fogo de chão, onde a tradição do chimarrão, passando de mão em mão, torna a todos um só povo.
Esse é um pedaço do Rio Grande que abre suas porteiras para bem receber.
Siga o Caminho Farroupilha, pisando em solo pampeiro ou navegando nas águas do grande mar de dentro - a Laguna dos Patos - e descubra um mundo capaz de guiar seu olhar e seu pensamento para além do tempo presente, onde o cenário se transforma em magia, a história revive a cada momento e o sonho se torna realidade no contato com esse povo apaixonado por sua terra.
 Seja bem-vindo. O povo pampeiro te aguarda.

                                              CAMINHO FARROUPILHA
 
Caminho Farroupilha é composto por 13 municípios que se dividem em duas rotas:
Costa Doce (Camaquã, Guaíba, Pelotas, Piratini, Rio Grande, São José do Norte, São Lourenço do Sul) e Pampa Gaúcho (Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Rosário do Sul, Santana do Livramento, São Gabriel).
 
Confira as dicas e boa viagem:
 
*    Guaíba: saindo de Porto Alegre rumo ao sul do estado, comece o passeio pelo “berço da Revolução Farroupilha”, como é conhecida a cidade de Guaíba (antiga Freguesia de Pedras Brancas). É possível visitar a Casa de Gomes Jardim, por onde partiu a ordem para a invasão de Porto Alegre. Em frente a casa está o Cipreste Farroupilha e a Erma de Gomes Jardim, monumento com o busto em homenagem a este importante personagem;
 
*    Camaquã: visite a Fazenda (Estância) da Figueira, propriedade que serviu como quartel general para os Farrapos e que pertencia a Antônia Joaquina da Silva, irmã de Bento Gonçalves;
 
*    São Lourenço do Sul: aqui se encontra a Fazenda do Sobrado, antiga propriedade de Don’Anna Joaquina, outra das irmãs de Bento Gonçalves. Além ter sido quartel general, abrigou Giuseppe Garibaldi, outro personagem importante da revolução;
 
*    Pelotas: não deixe de visitar o antigo Quartel Legalista – Casa da Banha, onde o futuro Conde de Porto Alegre (General Manuel Marques de Souza) teria se aquartelado e resistido durante alguns dias as investidas dos Farrapos;
 
*  Piratini: na sexta parada do passeio está o Museu Histórico Farroupilha.
Nessa propriedade foi instalado o Ministério da Guerra. Na cidade conheça ainda a Casa de Garibaldi, que serviu como moradia para Giuseppe Garibaldi, assim como para Luigi Rosseti, redator do Jornal Revolucionário O Povo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SEMANA FARROUPILHA

O gauchês que une gerações migra para a Capital na Semana Farroupilha

O linguajar típico campeiro, que é transmitido de pai para filho, é a principal marca dos gaúchos.

Se andares pelo parque da HARMONIA,cuidado com o linguajar da Gauchada.
 
Se te chamarem de "jaguara", cuidado, porque boa coisa não é. Mas se você for tratado como "quera", a história é outra: fique feliz, pois você está sendo elogiado.

Expressões típicas da cultura campeira migram para a Capital no mês de setembro e podem causar confusão na cabeça dos metropolitanos que visitam o parque.
Mas não venha chamar o bah, o tchê, o tri e o oigalê de gírias, que pode ser até ofensa. Segundo a estudiosa, o gauchês é um dialeto do português falado não apenas no Rio Grande do Sul, mas também em parte do Paraná e de Santa Catarina.
 As influências mais fortes são do alemão e do italiano, por força da colonização, além do espanhol e do guarani, especialmente nas áreas próximas à fronteira com o Uruguai.
— Isso se traz de casa, é algo que os mais velhos gostam de passar para nós — diz o guri.
Embora já tenha morado em pelo menos três Estados diferentes, é no Rio Grande do Sul que ele encontra e cultiva as tradições.
 O linguajar é a principal marca que faz questão de manter.
Enquanto solta um "pichorra", faz graça para uma moça que passa, elogiando sua beleza e educação, sem que a moça sequer perceba o que ele está falando.
Ainda bem que é elogio!

                                        Confira o vocabulário gaudério:

Aspa = chifre
Bochincho = festa informal
Carpim = meia de homem
Chinoca = guria que se pilcha de bota e bombacha em vez do vestido de prenda Chinaredo = bordel, onde ficam as chinas
Corpinho = sutiã
Cupincha = camarada, companheiro, amigo
Esgualepado, judiado = machucado, sem forças, acabado
Fatiota = terno
Folhinha = calendário
Guaipeca = cachorro viralata
Macanudo = sujeito forte, respeitável, talentoso
Melena = cabelo
Pechada = batida, trombada (entre automóveis)
Talagaço = golpe
Vivente = criatura viva, pessoa, indivíduo
Xirú = índio ou caboclo. Na língua tupi quer dizer "meu companheiro"
Quera = homem, gaúcho, gaudério

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FENÔMENO RARO


                    Ocultação de Vênus pela LUA decora  o céu do Rio Grande do Sul.

Até com fenômenos naturais o Rio Grande do Sul é abençoado,tivemos o previlégio de assistir este fenômeno de rara beleza no RIO GRANDE DO SUL a olho nu.

Por volta das 19hs deste domingo 8/09 ,quem olhou para o céu e viu a LUA "sorrindo e uma estrela brilhando ao seu lado.
O raro fenômeno mostra a LUA encobrindo o planeta Vênus e evidencia a estrela Espiga ou (SPICA).
“Essa estrela tem importância histórica, pois é mostrada na bandeira brasileira acima da faixa Ordem e Progresso representando o Estado do Pará”, conforme o Observatório Nacional.
O planeta Vênus, o mais brilhante do nosso céu, aparece no céu nos fins de tarde, desde meados de julho.
 Na noite de domingo, ele ficou completamente escondido atrás do satélite natural da Terra. O fenômeno pode ser visto em regiões no sul do País, RIO GRANDE DO SUL.
Também foi possível registrar o fenômeno em Amã, na Jordânia.
Nesta segunda-feira (9), na mesma região do céu ao escurecer, será possível observar novamente a estrela, os planetas Vênus e Saturno e a Lua.
 
 Programa Stellarium simula como deve ser a disposição dos astros no dia da ocultação de Vênus pela Lua Foto: Programa Stellarium / Reprodução
 


domingo, 8 de setembro de 2013

POESIA

                                                    POEMAS GAUDÉRIOS   
 
Um dos maiores orgulhos que tenho do Rio Grande e que me faz sentir imensa saudade, mesmo de coisas que não vivi na experiência, mas que fazem parte de um imaginário que todo gaúcho herda, é a poesia gaúcha.
Termos regionais que lembram nossa identidade e nos diferenciam positivamente do restante do Brasil, digo positivamente pois não faço parte daqueles que pretendem enaltecer sua cultura diminuindo a dos demais, pertenço sim, àqueles gaúchos que honram suas tradições e tem como único desejo sua preservação nesses tempos de tanta flexibilidade nas opiniões.
Por isso é que publico mais uma do nosso maior poeta, o Payador Jayme Caetano Braun :


Trovador Negro

Negro de sorriso claro,
Como sinuelo de pampa,
Que sintetizas na estampa
Longínquas reminiscências;
Negro que lembras dolências
De alegrias e tristezas
Que andaram nas correntezas
Dos rios de muitas querências.

Essa cordeona que abraças
Com ciumenta intimidade,
Traduz - na sonoridade,
Quando teus dedos passeiam,
Madrugadas que clareiam,
Campos pelechando em flor,
Chinocas pedindo amor
E potros que corcoveiam.

E quando a cordeona espichas
Aberta - como prá um pialo,
E o verso sai - de a cavalo,
Sobre a cadência da nota,
Tua mirada remota
Se perde - coxilha acima,
Como quem busca uma rima
Sem saber de onde ela brota.

Tu sim - és poeta - e o mundo,
Prá ti - se torna pequeno.
E nem mil poetas - moreno,
Expoentes de Academia,
Campereando - noite e dia,
O vocabulário gasto
Podem dar cheiro de pasto
Como tu dás à poesia.

Negro de sorriso aberto
Como clarão de alvorada,
Abre essa gaita aporreada,
E canta - a mais não poder.
Canta negro - até morrer,
Com força de mil gargantas,
Pois cantando como cantas
Ninguém te iguala em saber.
                                                   

CHIMARRÃO DA MADRUGADA

                                        
Essa poesia é daquelas que nos fazem realmente sentir o ambiente descrito, como se estivéssemos lá.
O chimarrão acompanha nos momentos de reunião e também naqueles momentos em que se está solito.
Nesta poesia  descreve o início da rotina do gaúcho quando, acompanhado do cigarro de palha e do fogo de chão, ele testemunha o amanhecer.

 

                                               Chimarrão da Madrugada



Não sei por que nesta noite
o sono velho cebruno
ergueu a clina e se foi!
E eu que arrelie ou me zangue.

Tenho olhos de ave da noite,
ouvidos de quero-quero
cordas de viola nos nervos
e uma secura no sangue.

Então, da marquesa salto
e vou direto ao galpão:
bato tição com tição
e a lavareda clareia
os caibros do galpão alto.

Já a cuia bem enxaguada,
corto um cigarro daqueles
de reacender vinte vezes
num trote de quatro léguas
de uma chasqueira troteada.

E, quando a chaleira chia,
principio um chimarrão,
mais verde e mais topetudo
do que um mate de barão.

Me estabeleço num banco
pra gozar gole e fumaça,
pitando um naco de branco.
E entre tragada e golito
saludo mui despacito
cada recuerdo que passa.

Um galo - o cochincho-mestre!
o laço desenrodilha.
E fica só com a presilha
e solta a armada bem grande
do laço de um canto largo
de sobrelombo a uma estrela.

E os outros galos-piazitos
vão atirando os lacitos
como em guachas de sinuelo.

E até um garnisé cargoso
vai reboleando orgulhoso
o soveuzito feioso
feito de couro com pêlo.

Nem relincham os cavalos!
Com brilhos de ponte-suelas,
lá em riba estão as estrelas!
Cá em baixo os cantos dos galos.

A estrela d'alva trabalha
na imensidão da hora morta:
- ou num perfil de medalha
ou a maiúscula inicial
sobre a prata de um punhal
que ainda há de sangrar o dia.

E a "Nova" ao largo se corta,
magra, esquilada, arredia,
empurrando a guampa torta
contra o ventito do Sul,
como num campo de azul,
a ovelha chamando a cria.

Solito, perto do fogo,
como um bugre imaginando,
escuto o Tempo rodando
sem descobrir o seu jogo.

O perro Baio-coleira
faz que cochila... E abre os olhos,
a espaços, regularmente.
E me fixa os olhos claros
como um amigo, dos raros,
cuidando do amigo doente.

É um gosto olhar os brasidos
E os luxos das lavaredas
dançando rendas e sedas
para a ilusão dos sentidos.
E entre o amargo e a tragada
tranqueiam na madrugada
tantos recuerdos perdidos.

E o chimarrão macanudo
vai entrando pelo sangue!
Vai melhorando as macetas,
curando as juntas doridas
como água arisca de sanga
sobre loncas ressequidas.

O peito avoluma e arqueia
como cogote de potro.
E as ventas se abrem gulosas
por cheiro de madrugada.
- Potrilhos em disparada
num Setembro de alvoroto.

Ah... sangue velho descubro
Porque hoje estas de vigilia
Três seculos de fronteira
De madrugadas campeiras
De velhas guardas guerreira
Floreando o Pampa em coxilha

Por isso é que hoje não dormes
Ouviste a voz de ancestrais
O chimarrão principia
Alerta, o campo vigia
Da meia noite pro dia
Um taura não dorme mais.