quinta-feira, 25 de abril de 2013

IDENTIDADE


       COMO SE DESCONSTRÓI UM IDENTIDADE E COMO SE LUTA POR ELA.



 O gaúcho rio-grandense tem assistido sua identidade ser continuamente desconstruída ao longo das décadas e sendo substituída despacito pela brasileira, advinda de outra cultura – alienígena por assim dizer, como qualquer cultura que seja diferente de outra, ainda que vivam sob mesma jurisdição.

Tudo começou pelos ataques sistemáticos à valentia e bravura tão característicos do gaúcho, principalmente midiáticos, de modo que passasse a ser reconhecido nacionalmente como o oposto. Isso foi tão fixado que terminou por virar um “estereótipo” no Brasil. Assim como baiano seria “preguiçoso” e carioca seria “malandro”, mineiro seria “quietinho”, gaúcho seria, então, “viado” - jeito chulo e vulgar para representar covardia. (1)

Outro ataque nacionalmente conhecido é o de tratar o gaúcho como “arrogante”, “prepotente”, “petulante”, “racista”, “nazista” e “preconceituoso”. O famoso bordão “os gaúchos se acham os melhores” sempre aparece quando um gaúcho expressa o seu patriotismo pelo Estado, seu orgulho por sua história e seu amor por sua terra e suas tradições. Como o brasileiro, na sua generalidade, não tem isso pelo Brasil, acaba por tentar fulminar – seja por inveja, seja por raiva ou preconceito – o que o gaúcho possui. Interessante destacar que normalmente pessoas de outros Estados e outras culturas tem o mesmo sentimento por seus Estados e seu povo, tanto é que fazem questão de ressaltar quando vão conversar com um gaúcho, apenas não aceitam que o gaúcho tenha o mesmo, incompreensivelmente.

Por último, mas não menos cruel, temos a centralização midiática de uma cultura sobre todas as outras existentes no Brasil, qual seja: a carioca. E isso é por causa da Rede Globo de televisão. Neste ponto não é necessário maiores explanações, basta ligar a TV para visualizarmos sotaque, imagens, notícias, destaques, entretenimento, cultura e tudo o mais “do” ou que “envolva o” Rio de Janeiro, em mais de 90% de toda sua programação. O restante só aparece se ocorre um grande desastre natural ou uma tragédia criminal, ou qualquer outra coisa que possa dar algum ibope.

Infelizmente, isso tem causado nos gaúchos rio-grandenses (2) um distanciamento de si mesmo que somente o prejudica. Estamos cada vez mais brasileiros e isso é muito ruim, pois o Estado que antes tinha o melhor desenvolvimento e qualidade de vida, educação e saúde e governantes e dirigentes que valorizavam “o bigode”, está dando lugar para um Estado com caos na saúde, sem educação, com baixos índices e corrupto. E o pior, estamos aprendendo o “jeitinho”, tão estúpido quanto a dar um tiro no próprio pé. Estamos virando massa de manobra e aquele povo varonil que outrora se indignava e lutava para ter algo melhor está passando a falar “não adianta nada”, “é tudo igual”, “é assim mesmo”, etc.

O gaúcho está preferindo beber, sorrir e pular carnaval ao invés de lutar; está preferindo aceitar do que lutar; está preferindo ser dirigido do que dirigir; está amansado, e isso é culpa da “brasilidade”, tão amansada quanto o gado que o gaúcho sempre dominou. (3)

Hoje, o Rio Grande do Sul assiste sua juventude reclamar de seu Estado, do frio que tanto nos identificava e nos orgulhava; está passando a achar o “ser” gaúcho como algo atrasado e alienador, naquele princípio do “o bom é o de fora”. O gaúcho rio-grandense está em um ponto em que lê um texto como esse e, se o termina, o considera algo burro, ignorante, ultrapassado e delirante.

O gaúcho rio-grandense está quase em extinção... só não está por completo porque algo há em seu interior que teima em resistir e em lutar. É por isso que temos assistido à tantas manifestações de orgulho da própria identidade e de luta – mesmo que simbólica – por manter o que de melhor temos, o que nos faz saber quem realmente somos.

O gaúcho tem que parar de sentir medo do que vão falar dele, de se importar com o que pensam os outros sobre suas paixões, seu amor e sua tradição. Não é o melhor Estado? E daí! É o NOSSO Estado, com nossos defeitos e nossas virtudes.

Seja vestindo uma bombacha, seja tomando um chimarrão em algum outro lugar, seja assando uma carne, seja falando de nosso jeito de jogar futebol e de encarar as coisas, o gaúcho tem conseguido lutar. E ainda há os que têm se organizado civilmente para defender esta identidade, regalo divino e natural dado aos homens e mulheres desta terra.

A identidade pode estar sob ataque intenso nas últimas décadas, mas existem e sempre existirão os guardiães de fronteira!


 

CAVALGADA INTERNACIONAL

Para a gauchada que  andar pela fronteira,prestigiem este evento. 
Eu como filho deste torrão gaúcho estarei por la revendo amigos.

                                                   

                                                         CAMPEREADA EM SANT´ANA

Gaúchos de outras querências
De cada pago vizinho
Que já conhecem o caminho
Vaqueanos de outras cruzadas
Quem venham pra campereada
Te esperamos na semana
Quem vem pra cá não se engana
Já sabe o rumo que toma
Verás o Cerro de Palomas
Cartão postal de Sant´ana
 
Que venham esses campeiros
Ginetes e peleadores
Os autênticos valores
Do nosso regionalismo
Amor de Pampa e civismo
No peito de cada cuéra
Pois Livramento te espera
Com mate,cordeona e tragao
Quem chega no nosso pago
Não bate palma em tapera.


CENTROS DE TRADIÇÕES GAÚCHAS- CTGs

CTG Brasil a fora.
Os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) são sociedades civis sem fins lucrativos, que buscam divulgar as tradições e o folclore da cultura gaúcha tal como foi codificada e registrada por folcloristas reconhecidos pelo movimento.
Diferenciam-se de Departamentos de Tradições Gaúchas, porque esses últimos geralmente estão ligados a alguma instituição.
Visam à integração social dos seus participantes, os tradicionalistas, ao resgate e à preservação dos costumes dos gaúchos, através da dança, do churrasco e de esportes. Existem muitos Centros de Tradições Gaúchas no Brasil, mas principalmente no estado do Rio Grande do Sul.
 
 
 
Aldeia dos Anjos

Aldeia dos Anjos

Alexandre Pato

Alexandre Pato

Barbosa Lessa

Barbosa Lessa

Bento Gonçalves da Silva

BENTO GONÇALVES DA SILVA

Boca da Serra

Boca da Serra

Campo dos Bugres - CTG

Campo dos Bugres - CTG

Centro Gaúcho da Bahia

Centro Gaúcho da Bahia

35 - CTG

CTG 35

CTG Saudade dos Pampas - Goiânia

CTG Saudade dos Pampas - Goiânia

Cultura Nativa - Uberaba - MG

Cultura Nativa - Uberaba - MG

Desgarrados do Pago - CTG

Desgarrados do Pago - CTG

Estância da Azenha - CTG

Estância da Azenha - CTG

Estância do Minuano

Estância do Minuano

Estância Gaúcha do Planalto - CTG

Estância Gaúcha do Planalto - CTG

Fogo de Chão

Fogo de Chão

Inhandui

Inhandui

Jayme Caetano Braun

Jayme Caetano Braun

João Sobrinho - Capão da Canoa - RS
 
Meu Pago

Meu Pago

CTG Os Praianos

Os Praianos

Porteira do Rio Grande - CTG

Porteira do Rio Grande - CTG

Prenda Minha

Prenda Minha

Rancho da Saudade

Rancho da Saudade

Rancho Gaúcho - General Bento Gonçalves
 
Rancho Gaúcho - General Bento Gonçalves
Rincão Verde

Rincão Verde

Saudade da Minha Terra

Saudade da Minha Terra

Estância do Minuano

         Saudades da Querência        

 Sentinela do Pago

Sentinelas do Pago



 


segunda-feira, 22 de abril de 2013

CHORIPAN



                                           Choripan ou Pão com Linguiça
 
Tchê, mais comum que um choripan ou pão com linguiça é o churrasco para nós.
O choripan é uma maneira barata e pratica de juntar os amigos e familiares, "Choripan" é espanhol e quer dizer "chouriço con pan" ou linguiça no pão é simples e muy bueno. -
 1 kg de linguiça - Tomate - Alface - Maionese, catchup e mostarda (para quem gosta) - Cacetinho (Pão francês, pão d'água) É só assar a linguiça ou fritar, cortar os ingredientes coloca tudo dentro do pão e enche o bucho. O tradicional é a linguiça assada com pão, somente isso. Um baita quebra costela!!!

CHARQUEADAS


                                                Charqueadas e Xarqueada:
 

                                   Surgimento e importância econômica

O gado foi a base da economia gaúcha durante um longo período da história do Rio Grande.
Introduzido pelos jesuítas, atraiu os tropeiros que vinham de São Paulo e Minas para buscar gado e levá-lo para aquelas províncias. Serviu, também, de esteio para a fixação de habitantes, na medida em que permitiu uma atividade econômica para os estancieiros que aqui se fixaram.
Essa base seria ainda mais consolidada com o surgimento das charqueadas. Elas iriam produzir o charque, um produto que era a base da alimentação de escravos em todo o Brasil. E, com essa produção, trariam riqueza à região de Pelotas, que se tornou uma espécie de "capital cultural" do Estado.
As charqueadas começaram a surgir na região de Pelotas em torno de 1780. Anteriormente, o charque já era produzido no sul do continente, mas de maneira artesanal e em pequena escala. No entanto, uma série de secas sucessivas no Nordeste, onde estava concentrada a maior produção de charque do país, criou uma oportunidade para o produto gaúcho.    
E o charque começou a ser produzido em maior escala.

                                                                        Opulência

A partir desse momento, a produção de charque se tornou o centro da vida econômica da região de Pelotas. As charqueadas estavam situadas ao longo de rios que facilitavam o transporte para o porto de Rio Grande - de onde o charque seguia para o Rio e outros portos brasileiros. Com o dinheiro gerado por elas, Pelotas se transformou. Essa renda permitiu que surgisse um grupo de famílias ricas e que cultivavam hábitos sofisticados.
Em 1835, Wolfhang Harnish descrevia a cidade de Pelotas como um local de opulência extrema: "... já funcionam 35 charqueadas nos arredores da cidade... A riqueza que trazem é fantástica...
Esses milionários pelotenses bem que poderiam ter vivido no Rio ou em Nice ou ainda em Paris, poderiam ter concorrido com os fidalgos russos no luxo e na dissipação de Monte Carlo".

                                                                          Miséria

A contraparte dessa opulência eram as próprias charqueadas, onde os enormes grupos de escravos eram submetidos a um trabalho exaustivo. E, como estavam reunidos em grupos muito grandes, os senhores adotavam a política de extrema intimidação para mantê-los obedientes. As charqueadas eram verdadeiros "estabelecimentos penitenciários", como bem as descreveu o francês Nicolau Dreyf, no livro "Notícia Descritiva da Provincia de São Pedro do Rio Grande do Sul".
Parte desse tratamento brutal dado aos escravos se devia ao interesse econômico: quanto mais produzissem, mais seus donos lucravam. Outra parte, entretanto, vinha do medo: com uma enorme população escrava, Pelotas era, potencialmente, um foco de rebeliões. Por isso, ao menor sinal de revolta eram tomadas providências drásticas. Para que se tenha uma idéia do tamanho da população escrava de Pelotas: existiam ali, em 1833, 5.169 escravos, 3.555 homens livres e 1.136 libertos.
Não obstante a violência e os métodos relativamente primitivos usados pelas charqueadas da região de Pelotas, elas foram capazes de sobreviver e gerar lucros consideráveis até o final do escravismo. A partir de então, enfrentaram dificuldades cada vez maiores e terminaram por se extinguir.


                                                         Algumas charqueadas de Pelotas/RS.


Charqueada Bernardes Barcellos

Charqueada do Barão de Butuí
 

Charqueada São João

Charqueada do Abolengo